A propaganda eleitoral das eleições de 2026 vai se decidir, em boa parte, fora dos palanques. Enquanto candidatos e partidos investem em rua e televisão, uma parcela crescente do eleitorado já forma opinião a partir de buscas no Google e de conversas com ferramentas de inteligência artificial (IA), um território ainda pouco explorado pelas campanhas brasileiras.

A Agência Speciaali, com atuação internacional, tem acompanhado de perto essa mudança para orientar candidatos, partidos e agências contratantes sobre como ocupar esse espaço dentro das regras do TSE.

O ponto de partida é simples: candidatos não podem comprar anúncios políticos no Google. A rede nunca permitiu propaganda paga de cunho eleitoral em sua plataforma de busca, e não há indicação de que essa política mude para o pleito de 2026.

Isso significa que, se um eleitor pesquisar o nome de um candidato ou suas propostas, o resultado que aparecer na primeira página será fruto de SEO (otimização para mecanismos de busca), não de verba publicitária. Quem não tem site otimizado, portanto, simplesmente não aparece nos resultados que importam.

Essa restrição muda a lógica da propaganda eleitoral na internet. Enquanto em outros países candidatos podem comprar destaque direto no buscador, no Brasil a visibilidade orgânica é o único caminho possível dentro do Google. E é justamente esse espaço, o das buscas orgânicas e das respostas geradas por IA, que concentra hoje boa parte da pesquisa do eleitor antes de decidir o voto.

O calendário eleitoral de 2026 e seus prazos

campanha eleitoral 2026

O Tribunal Superior Eleitoral organizou o calendário das Eleições Gerais de 2026 em etapas bem definidas. Partidos, federações e coligações têm até 15 de agosto para registrar formalmente as candidaturas na Justiça Eleitoral.

A propaganda eleitoral geral, incluindo a internet, só pode começar oficialmente a partir de 16 de agosto, e o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão vai ao ar entre 28 de agosto e 1º de outubro. O primeiro turno ocorre em 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro.

Esses prazos importam diretamente para o planejamento digital da campanha eleitoral. Como a propaganda eleitoral só pode circular publicamente a partir de 16 de agosto, é essa a data que marca o início oficial da disputa também no ambiente digital, incluindo site, redes sociais e anúncios pagos.

Mas a estruturação técnica por trás dessa estreia, como o SEO do site e a validação da conta de anúncios no Meta Ads, precisa estar pronta antes dessa janela para não perder os primeiros dias de propaganda eleitoral autorizada.

A vedação a conteúdo sintético de IA nas 72 horas anteriores e 24 horas posteriores à votação de 4 de outubro reforça esse raciocínio: decisões de última hora sobre propaganda digital ficam praticamente inviáveis dentro do calendário eleitoral, o que torna o planejamento antecipado o fator decisivo para candidatos e partidos.

O que muda na propaganda eleitoral com a IA?

politica com ia

Em março de 2026, o TSE aprovou a Resolução nº 23.755/2026, que trata do uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral. A norma não proíbe o uso de IA nas campanhas, mas veda explicitamente que ferramentas de IA generativa e chatbots recomendem candidatos ou influenciem, direta ou indiretamente, a escolha do eleitor.

Isso inclui práticas como ranqueamento, recomendação, sugestão ou priorização de candidaturas, além da emissão de opiniões ou de qualquer forma de favorecimento ou desfavorecimento político-eleitoral. Todo conteúdo criado ou alterado por IA também precisa exibir aviso visível ao eleitor, e a resolução proíbe a publicação de conteúdo sintético com voz ou imagem de candidatos nas 72 horas anteriores e nas 24 horas posteriores à votação.

O Brasil não chega a essa regulamentação da propaganda eleitoral de forma repentina. Já em 2024, o TSE havia implementado medidas voltadas ao enfrentamento da desinformação eleitoral, o que colocou o país em posição pioneira no tema.

Em 2026, esse avanço regulatório se aprofunda, com diretrizes mais explícitas sobre o papel e os impactos da IA no ambiente eleitoral, quando o uso dessas ferramentas por eleitores e por campanhas cresce em ritmo acelerado. O contexto internacional ajuda a explicar a preocupação do TSE com a propaganda eleitoral digital.

Levantamento do International Panel on the Information Environment (IPIE) indica que, em cerca de 80% dos países com eleições competitivas em 2024, ferramentas de IA generativa foram usadas na produção de conteúdos sintéticos, como textos, imagens, áudios e vídeos, empregados em campanhas de desinformação, ataques reputacionais e estratégias de confusão eleitoral.

A regulamentação brasileira para 2026 busca justamente reduzir esse tipo de risco antes que ele se repita em escala local. Apesar da regra, um estudo do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS Rio), apresentado no Festival 3i de jornalismo, mostrou que 85% das ferramentas de IA testadas ranquearam ou recomendaram candidatos, contrariando a resolução, e apenas 12% das respostas direcionavam o eleitor a fontes oficiais como o TSE.

Testes independentes feitos pela BBC News Brasil e pela CBN confirmaram o problema: ao serem insistidas, ferramentas como ChatGPT, Gemini e Grok chegaram a indicar nomes e até citaram políticos que já haviam desistido da corrida ou nem eram pré-candidatos.

Também foram registrados casos de alucinação, quando a IA apresenta informação falsa como se fosse verdadeira, incluindo uma ferramenta que chegou a negar a existência de eleição presidencial no Brasil em 2026 e outra que indicou como candidata uma organização social que sequer participa do processo eleitoral.

Esses erros mostram que a propaganda eleitoral feita por terceiros, sem curadoria do próprio candidato, está sujeita a falhas que o eleitor dificilmente consegue identificar sozinho.

Por que uma propaganda eleitoral de sucesso precisa de um bom site ?

As IAs generativas buscam informação na web para formular respostas, mesmo quando evitam recomendar um nome diretamente. Se um candidato não tem site estruturado, com biografia, propostas e histórico verificável, a IA vai recorrer a outras fontes, como notícias de terceiros ou páginas desatualizadas, para descrever esse candidato ao eleitor. O resultado pode ser uma versão imprecisa, incompleta ou até equivocada da candidatura.

Mais da metade da população brasileira já utiliza ferramentas de IA generativa, e 62,9% dos entrevistados considerariam consultar uma IA para obter informações sobre candidatos. As IAs generativas funcionam, cada vez mais, como mediadoras do acesso à informação política, e a forma como organizam esses dados pode influenciar a percepção do eleitorado sobre um candidato. Isso torna o site oficial, alimentado com conteúdo técnico e atualizado, uma peça de propaganda eleitoral tão relevante quanto o material impresso ou o horário eleitoral gratuito.

Google não vende espaço, mas SEO conquista posição

modo ia do google

Como o Google não comercializa anúncios eleitorais, a única forma de garantir visibilidade paga nas buscas é não existir, o que deixa o SEO como caminho quase obrigatório.

Uma estratégia de SEO bem estruturada trabalha três frentes: a técnica (velocidade do site, estrutura de URLs, adequação a dispositivos móveis), o conteúdo (páginas sobre propostas, biografia e agenda, escritas pensando nas perguntas reais dos eleitores) e a autoridade (menções e links de veículos de imprensa e páginas institucionais).

Sem esse trabalho, um candidato depende inteiramente de como terceiros o descrevem na internet, sejam eles adversários, veículos de imprensa ou, cada vez mais, sistemas de inteligência artificial que resumem e organizam informação para o eleitor.

Por isso, tratar SEO como parte central da propaganda eleitoral, e não como um item secundário do planejamento de campanha, tende a fazer diferença já nos meses de pré-campanha, período em que o volume de buscas sobre pré-candidatos costuma crescer.

Meta Ads exige cadastro antecipado do candidato

eleicao 2026

Diferentemente do Google, o Meta (dono do Instagram e do Facebook) permite anúncios políticos, mas com regras rígidas de verificação. Candidatos, partidos e comitês precisam passar por um processo de autorização eleitoral antes de conseguir veicular qualquer peça paga nessas redes, incluindo confirmação de identidade e de localização no Brasil.

Esse processo de verificação não é imediato. Campanhas que deixam a configuração da conta de anúncios para a reta final do calendário eleitoral correm o risco de não conseguir aprovação a tempo e ficar de fora do Meta Ads justamente no período de maior busca por informação, os meses que antecedem a votação de outubro. Por isso, a orientação técnica é configurar a conta, validar os dados cadastrais e testar o fluxo de aprovação com antecedência, ainda durante o período de pré-campanha.

Enquanto o Google concentra a busca orgânica, o Meta Ads é o principal canal pago disponível para a propaganda eleitoral de candidatos e partidos na internet. Os dois formatos, orgânico e pago, funcionam de maneira complementar: o SEO garante que a candidatura apareça quando o eleitor pesquisa por conta própria, e o Meta Ads permite alcançar públicos segmentados dentro das regras estabelecidas pela plataforma e pela Justiça Eleitoral.

O que a resolução do TSE proíbe e permite

politicos influencers

A Resolução nº 23.755/2026 distribui responsabilidades entre quem produz, contrata, divulga e intermedeia conteúdo político. Deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas são proibidos. Contratar influenciadores digitais para divulgar conteúdo político-eleitoral em troca de dinheiro ou vantagem também é vedado, mesmo com mecanismos de premiação disfarçados. Perfis falsos, anônimos ou automatizados que espalhem desinformação sobre o processo eleitoral podem ser banidos após decisão judicial.

Para candidatos e agências, isso significa planejar a propaganda eleitoral com transparência desde o início: identificar claramente qualquer peça produzida com apoio de IA, manter registro da produção de materiais e evitar qualquer prática que possa ser interpretada como impulsionamento oculto ou coordenação inautêntica.

Riscos de ignorar a estratégia de propaganda eleitoral digital

Esse tensionamento entre a resolução do TSE e o comportamento das ferramentas de IA tende a crescer à medida que as perguntas do eleitor avançam do nível presidencial para o estadual e legislativo, onde a chance de erro e de ausência de informação aumenta. Isso reforça que a presença digital do candidato, sobretudo em fontes primárias como o próprio site, funciona como contrapeso a esse cenário de imprecisão.

Ignorar essa camada da propaganda eleitoral tem custo direto: campanhas sem SEO ficam dependentes de como a imprensa e as próprias IAs decidem apresentá-las, sem controle sobre a precisão ou a atualização dessas informações. Já campanhas com site otimizado e conta de anúncios validada chegam ao período decisivo da corrida eleitoral com mais controle sobre a própria narrativa.

Como a Speciaali estrutura a propaganda eleitoral

A Speciaali atua há mais de 30 anos no mercado internacional de marketing digital e é parceira certificada Google, Meta Business e Bing, o que permite acompanhar de perto as mudanças de regras dessas plataformas ao longo da campanha eleitoral. O trabalho da agência para candidatos e partidos combina três frentes: criação e otimização de site com foco em SEO técnico e de conteúdo, estruturação e validação antecipada da conta de anúncios no Meta Ads, e acompanhamento das exigências de transparência da Resolução nº 23.755/2026, incluindo identificação de conteúdo produzido com IA.

Essa combinação busca resolver o mesmo problema identificado pelas pesquisas citadas neste artigo: o eleitor já pesquisa antes de votar, seja no Google, seja em uma ferramenta de IA, e o candidato que não organiza essa informação com antecedência perde a chance de contar a própria história.

O que fazer antes da reta final da campanha

Reportagens da BBC News Brasil e da CBN, que ouviram especialistas sobre o tema, reforçam que a decisão de voto não deve ficar nas mãos de sistemas automatizados, mas reconhecem que essas ferramentas já influenciam a forma como o eleitor se informa. Para candidatos e partidos, o caminho prático é garantir que, quando o eleitor buscar informação, seja no Google ou em uma IA, encontre dados corretos e atualizados vindos do próprio candidato.

Isso passa por três providências concretas antes do período de pré-campanha se encerrar: publicar um site com biografia, propostas e histórico verificável; configurar e validar a conta de anúncios no Meta Ads com antecedência; e manter registro de qualquer material de propaganda eleitoral produzido com apoio de inteligência artificial, conforme exige a resolução do TSE. Quem deixar essas etapas para a reta final corre o risco de disputar a eleição com uma desvantagem digital difícil de reverter em poucas semanas.

Segundo levantamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil terá 158.745.463 eleitores aptos a votar no primeiro turno, marcado para 4 de outubro, um crescimento de 2.291.452 pessoas em relação a 2022. Com 158,7 milhões de eleitores aptos a votar em outubro e uma parcela cada vez maior deles recorrendo a buscadores e ferramentas de IA antes de decidir o voto, a propaganda eleitoral deixou de ser apenas uma questão de discurso e passou a depender também de infraestrutura digital bem planejada. Candidatos, partidos e as agências que os assessoram têm, ainda no período de pré-campanha, a janela de tempo necessária para colocar essa base no lugar.